quinta-feira, 17 de abril de 2008

Conecte os seus sentimentos

Há duas semanas atrás, esta escritora que vos fala resolveu se divertir um pouco e prestigiar seus amigos da banda Gobstopper, em sua apresentação no Rock Total, realizado às sextas-feiras, a partir das 23h, no Sarau do Zé Geral, localizado na Av. Calógeras, próxima à Feira Central.

Até aí, tudo tranqüilo, já que não é novidade para ninguém que eu sou simplesmente apaixonada pelo rock nacional. O que esta escritora não esperava, era presenciar a apresentação de uma banda, chamada Noradrenalina, que é a verdadeira definição do punk rock nacional, do nosso rock alternativo.

Como vocês já devem imaginar, me interessei pela banda, já que, desde a década de 80, sim, sim, a época de Legião Urbana, Titãs, Paralamas do Sucesso, etc. não se encontram mais bandas que representem exatamente o rock alternativo.

A Noradrenalina ainda não tem trabalho gravado, infelizmente no Brasil a arte não é reconhecida e praticamente ninguém investe nisso. Mas eu não poderia deixar de fazer uma entrevista exclusiva com a banda, para vocês.

A dica fica, quem mora em Campo Grande, e arredores, e tiver a oportunidade de ir vê-los tocar, eu garanto, não irá se arrepender.

Na terça-feira, 15 de abril, eu me encontrei com o vocalista da Noradrenalina, Heitor Medeiros, para uma conversa descontraída e muito interessante. O Heitor é uma pessoa muito criativa e muito sentimentalista. Suas emoções estão sempre à flor da pele, principalmente quando fala sobre música. Com frases de impacto, como: “eu sempre detestei coisas fracas”, nossa conversa foi cheia de muita ideologia. Aqui vai um pouco da nossa conversa:

Há quanto tempo a banda está na estrada?

Não sei se devo dizer que a banda está na estrada desde 2001 ou 2002. Em 2002 nós fizemos a nossa primeira apresentação, tocamos no Feras do Rock, em 2003, mas começamos a pegar firme mesmo, em 2007.

Como surgiu a Noradrenalina?

Surgiu em 2001, com o ex-baixista e o baterista. Na época, eram apenas voz e dois violões.

Por que Noradrenalina?

Já fazia tempo que estávamos procurando um nome para a banda, e, lendo uma matéria da Superinteressante, sobre o comportamento do corpo do homem, antes da relação sexual, em certo momento da matéria, ele fala sobre esse neurotransmissor, que seria como um conector de sentimentos, a substância do tesão. E a nossa banda é justamente isso, é um conector de sentimentos. A arte se baseia no sentimento.

Quando foi que você decidiu fazer música, e como?

Não sei se decidi, na realidade, acho que sempre fui músico. A música já existia dentro de mim. É engraçado, porque, em 1998, o meu irmão comprou seu primeiro violão, e ele morria de ciúmes dele, então, quando ele estava em casa, eu nem chegava perto, mas quando ele saía, a primeira coisa que eu fazia era pegar o violão e tentar fazer algumas notas. Como ele tinha aquelas revistinhas de cifras, então era mais fácil. Eu pegava e ficava vendo como se fazem as notas. A primeira música que eu consegui tirar, no violão, foi Tempo Perdido, da Legião, demorei 40 minutos para tocá-la.

Quem escreve as letras da banda, e em que se baseia?

Bem, é mais ou menos assim: eu chego com o esqueleto da música, a música cru, sabe. Mas ela toma vida mesmo, é no ensaio. Então, eu crio, escrevo a letra, faço uma melodia, e no ensaio nós vamos ajustando, vendo uns solos, como fica a parte de cada um. Tem um assunto que me toca, e eu vou escrevendo sobre ele. Às vezes eu estou tocando, e a letra simplesmente sai, como se ela já estivesse pronta, como se a música já existia, e estivesse apenas me dizendo o que escrever.

O que você acha do cenário musical de Campo Grande?

É assim, o cenário daqui já foi muito bom. Mas no momento ele está muito fraco, apesar de ter muita coisa boa, também tem muita coisa ruim. É preciso valorizar a nossa música. As pessoas fazem uma idéia errada de música regional. O rock é universal, você não precisa misturar batucadas raízes do Estado para ter um som regional. Você pode fazer isso falando sobre o Estado e sobre a sua região nas letras das músicas.. As pessoas dão muito valor para bandas que tocam rock 80’s, 70’s e 60’s. Gente, esse tempo já passou, já foi. Estamos em um milênio novo, quase na segunda década do século XXI, ta na hora de inovar. Deixar o passado no passado. Valorizar o hoje, o agora, mudar um pouco o discurso, a época é outra, a música também deveria ser.

O que você espera da música?

A música é a minha válvula, e o violão é o meu amigo. A música pode ser muita coisa, ela tem o poder de eternizar momentos, pessoas, sentimentos. A música é a minha fotografia, meu holofote, é uma forma de dizer ‘eu te amo’. A Noradrenalina é a minha garotinha, eu sou a música, e a música sou eu. Se eu estou com raiva, se eu estou feliz, se eu estou triste, eu toco e coloco isso na música.

Como você administra a vida de universitário, estagiário e músico?

Eu faço Rádio e Tv, e comecei a fazer por causa da música. Adoro fazer faculdade, me ajuda muito. E não tem como não conciliar. A faculdade é o meu futuro. Preciso do estágio para ajudar a pagar a faculdade, e preciso da faculdade e do estágio para poder abrir espaço para a música. Conheci pessoas importantes para a banda na faculdade.

O que você acha da iniciativa do Zé Geral?

Ele é um cara de bastante visão, e ele viu que a arte precisa ser valorizada. Mas ele deveria ser um pouco mais seletivo. Porque, quem vai ao Sarau e escuta bandas ruins, vai embora, e acaba não escutando as bandas boas. Também precisaria diminuir um pouco o número de bandas por noite no Rock Total, para dar um espaço maior para as bandas boas. Mas ele tem muita visão, só precisa de um direcionamento.

O que você diria para quem está começando agora como músico?

Você precisa de muita paciência, porque nada vai cair do céu para você, assim de repente. A música é matemática, então, precisa de muito estudo. Conheci um Maestro, que certa vez me disse que estuda música há 40 anos e até hoje sabe pouca coisa sobre música. Coloque emoção na sua música, sentimento, não desista! Eu sinto que a hora do nosso estado está chegando. Todas as grandes bandas começaram no final da década anterior à década em que fizeram sucesso. Porra, eu penso, não preciso tocar pra caralho, se eu colocar o coração, pode ter certeza que vai pra frente.

A Noradrenalina é composta por:

Heitor Medeiros – voz e guitarra

Paulo Henrique Medeiros – bateria

Renato Ahad – guitarra

Higor Ganassin - baixo

7 comentários:

Kyub disse...

Adorei essa matéria, é interessante como uma banda como essa, ainda não tenha seu trabalho conhecido, mas é só questão de tempo.

Diogo disse...

sim sim..Ótima matéria...estou torcendo para q eles possam ser reconhecidos logo...como no comentário acima, é questão de tempo msm..

ainda mais com o voz e guitarra com o nome de Heitor...isso vai longe

Tiago disse...

Gostaria muito de ouvir o som dos caras, gostei da entrevista! Sucesso pra eles!

Markito disse...

Adorei o Blog, muito bem sintetizado e escrito.

Parece-me que nao eh so a banda que eh promissora, essa nossa escritora tem futuro!

marcel disse...

banda podre! morre, Heitor!

Heitor disse...

Pois ent�o, espero q lancemos o mais rapido possivel algum material gravado, para aqules que desejarem conhecer a banda...n�s gostamos de fazer rock com energia, sem firulas.
Em breve a Nora vai estar flutuando pelas ondas, vai estar entrando em suas mentes...fazendo um cora�o ou seu esqueleto saltitar...

Heitor disse...

http://www.youtube.com/watch?v=gcNDzYzIWkI

achei um vídeo nosso e nem sabia...
Quem quiser ouvir a nossa musica mais lenta olha ae...